Aqui, nesta minha tumba sombria, dou por mim a contemplar o mundo dos vivos. Ao observá-lo, fico estarrecido.
Eu, apresento-me com toda a minha malvadez, mostrando a minha face terrível. Aproximo-me das vítimas com apenas um propósito: alimentar-me delas; roubar-lhes momentos, tornando-as assim uma parte de mim. Para sempre. E faço-o sem rodeios; vou directo ao pescoço.
“I am the monster that breathing men would kill. I am Dracula.”, digo-lhes.
Apesar do aparente terror que a minha aproximação inflige, detêm-se, aguardando a minha chegada. Não sei porquê, mas ficam. Aliás, anseiam que chegue. Os seus corpos contorcem-se em êxtase antecipado, pedindo que as morda. Mais! Pedindo-me que o faça com toda a minha perversidade. Que o não faça com gentileza, na tentativa de as poupar (porque tenho consciência), mas intensamente, para que eternamente as dane.
Num esforço de entender, perguntei a uma amiga porque seria. Porque deixou ela que me aproximasse, mesmo sabendo o meu desígnio. Que encanto tenho eu, afinal? Respondeu-me, inabalável: “Porque tu não és capaz de me desiludir. És exactamente o que dizes ser. De ti, espero sempre o pior. ”
Fosse eu vivo, e ficaria arrasado. Que resposta frontal, quase brutal. Ainda por cima vinda de uma mulher admirável. Mas não sou. Em vez de arrasado, senti-me esclarecido.
Os vivos criam expectativas uns nos outros e, por vezes, falham. Desiludem. A desilusão pode ser tal que ficam com a sensação que não se conhecem. Que nunca se conheceram.
Não digo que criem propositadamente falsas expectativas (alguns até parece mesmo que o fazem). Parece-me, antes, que desiludem porque se esforçam demasiado por serem o que não são. Apenas por isso. Desiludem os outros, e a si mesmos. Por isso, vivos, vão morrendo. Já eu, morto, vou vivendo.
Mas isto, claro, é visto daqui, desta minha tumba sombria; com estes olhos sem vida.
ps. Com esta mulher nunca sei quem é, de facto, a vítima. Hei-de dedicar-lhe um post com uns balbucios meus acerca dessa triste mania de chamarem às mulheres o sexo fraco
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
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Para mim é simplesmente romântico....
ResponderEliminarBeijo.
Maria
O mumdo é e será sempre feito de aparências, em todos os aspectos do nosso dia a dia. Vivemos delas para conquistar o que pretendemos.A Consequencia é sempre a desilusão,porque raramente os outros conseguem aguentar as fachadas por muito tempo.Vive-se na mentira...algo que pessoalmente abomino.
ResponderEliminarquanto a deixarem-se morder... penso que a explicação é bem mais fácil e geral... as pessoas têm um fascinio pelo abismo, pelo terror...é isso que faz disparar a adrenalina. as mulheres de um modo geral sentem-se atraidas pelo do mistérioso, medo, e terror.
é fácil ver isso, raramente preferem os "meninos bem comportados", preferem antes os preversos e, desviantes.
escusado será dizer que acabam sempre por sofrer... a não ser que consigam ser piores que eles. :)
beijo
ps- podias tirar a verificação por letras :)
Maria:
ResponderEliminarSim, é romântico. Fatalmente romântico. :)
Maria:
ResponderEliminarDesculpa o esquecimento. Por vezes, além de perverso, sou também mal educado (por distracção). :(
Um beijo.
Peach:
ResponderEliminarO teu comentário é pertinente. Daria uma bela conversa. Por isso, vou dedicar um post ao tema.
Acerca do teu post scriptum, já tirei.
A ideia era dificultar a vida aos spammers. Como me agrada imenso receber comentários aos meus delírios, prefiro ter eu o trabalho de apagar os comentários vindos dessa corja (os spammers). Pior que eles, só mesmo o bando dos sugadores de sangue ;)
beijo
A ilusão de ser... ou a desilusão de não ser...Dracula...ou outro mortal comum?
ResponderEliminarA ilusão dissolve-se no momento em que se reconhece como ilusão."A sua sobrevivencia depende de a confundirmos com a realidade.Ao percebemos quem não somos,a realidade de quem somos emerge por si mesma."
Pelo o que vejo(e sei) já percebeste quem tu não es,agora é esperar o emergir do "terror" que podes ser...
Suck my kiss
Akrasia, minha querida.
ResponderEliminarCumpriste o prometido :)
Adorei o teu comentário. Gostei tanto, que lhe vou dedicar um post.
Um beijo.